Fôlego:

A arte expressando nossa Causa

Da Redação | outrosquinhentos.com | Fotos: Heloísa Bortz
O texto abaixo apresenta uma realidade muito comum, uma jovem busca seu limite para escolher uma decisão que pode mudar sua vida, É a arte expressando a Epilepsia x Esporte e seus benefícios.

Fôlego nos apresenta uma protagonista em uma situação bastante específica e bem distante de nossas vidas “saudáveis”, mas suas dúvidas, dilemas, medos e desejos são os mesmos que os nossos.

“Reconhecer-se em um mundo aparentemente distante é o que torna esta peça tocante para o público em geral. Fôlego é impactante porque todos nós, mesmo não sofrendo de epilepsia, nos reconhecemos em Jane pela possibilidade, sempre presente, do imponderável se estabelecer em nossas vidas. Buscamos todos alcançar e, por vezes, ultrapassar os nossos limites físicos e psíquicos. Será que é sempre possível alcançá-los? Assim como Jane, estamos sempre lidando com escolhas no nosso dia-a-dia. O tempo dela está correndo. Nosso tempo também está correndo. A todo custo e a toda hora é preciso tomar uma decisão. E nós corremos, seja para tomá-la mais rapidamente, seja para fugir dela”, conta a tradutora Priscila Paes.

“A genialidade do texto de McNair, que em pouco tempo de carreira já coleciona prêmios e torna-se rapidamente um dos nomes mais importantes do teatro britânico, está no fato de fazer com que o leitor se sinta dentro da cabeça da protagonista, que apesar de sofrer de uma doença séria, mantém um peculiar estado de bom humor”, conta o diretor Kiko Rieser.

Para entender melhor a condição de Jane e seus aspectos concretos, Priscila Paes contou com a colaboração da equipe de assistentes sociais, psicólogos e médicos da Associação Brasileira de Epilepsia, e participou de encontros semanais com pessoas que sofrem desta doença.

“Essas pessoas também buscam um alívio para sua condição e algumas delas inclusive devem decidir se fazem ou não a cirurgia para retirar parte de seus cérebros. O contato com pessoas na mesma situação de Jane, que enfrentam as mesmas dificuldades e os mesmos dilemas que a protagonista da peça, é fundamental para poder me colocar em cena de maneira precisa”, conta a atriz.

“O enfrentamento dos limites é um dos pontos mais marcantes da peça e está presente na vida de todos. “Fôlego”, ao propor uma perspectiva tão visceral sobre as descobertas e redescobertas dos limites de um corpo, é de fundamental importância para que confrontemos nossos próprios medos, desafios e escolhas”, concluem Priscila e Kiko.

SINOPSE
Jane sofre de epilepsia e, contra todas as expectativas, descobre na corrida um modo de evitar as convulsões. Passa a correr todos os dias, diversas vezes, sempre que sente que está para convulsionar – e isso parece ter resolvido o problema. Até que, depois de muito tempo, ela tem um novo ataque. Recebe, então, a notícia de que pode realizar uma cirurgia para a retirada de parte de seu cérebro, o que curaria sua doença, mas poderia deixar sequelas. Jane decide então participar da chamada “Corrida da Morte” no deserto de San Antonio. Ela se impõe as 110 milhas da ultramaratona como prazo para tomar sua decisão.

FICHA TÉCNICA
Texto: Gary McNair

Tradução: Priscila Paes

Direção: Kiko Rieser

Elenco: Priscila Paes

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